Programa de Línguas Estrangeiras Modernas

Guarani

LÍNGUA E CULTURA GUARANI


Os cursos de língua e cultura guarani são oferecidos pelo PROLEM desde o segundo semestre de 2017, em parceria com o projeto Encontro de Saberes na UFF, com o propósito de oferecer subsídios para a implementação da Lei 11.645/2008, que institui a obrigatoriedade do ensino de história e cultura indígena em todos os níveis de ensino. Seu oferecimento no âmbito institucional doPROLEM expõe o lugar paradoxal que as línguas indígenas ocupam na história da educação formal no país, pois sendo, a rigor, línguas em uso no território nacional não são vistas oficialmente como línguas nacionais. Deste modo, o ensino de língua e cultura guarani no PROLEM se postula como suplemento necessário do currículo dos cursos de Letras na UFF e contribui para a promoção da inclusão e a superação das desigualdades étnicas e raciais vigentes no ensino superior do Brasil.
A escolha da língua guarani (entre as 274 línguas indígenas em uso no Brasil) deve-se a dois fatores. Em primeiro lugar, por tratar-se de uma língua oficial em diversos países da região, falada por mais de sete milhões de pessoas no Cone Sul e por mais de 85.000cidadãos no Brasil (Kaiowá, Nhandewa e Mbyá) (CIMI, 2017). Em segundo lugar, por haver atualmente sete aldeias guaranis no estado do Rio de Janeiro, gerando demandas específicas de formação entre os profissionais dos programas e serviços públicos de educação, saúde e assistência social.


O curso comporta quatro níveis: Iniciante I e II, e Intermediário I e II. Neles, leva-se a cabo, de modo integrado, o estudo formal da língua guarani(através do desenvolvimento das quatro habilidades de compreensão e produção oral e escrita)ea vivência da cultura(em seus aspectos tradicionais e contemporâneos), através da realização de diversas atividades presenciais, tanto na UFF, quanto fora dela —no Tekoa Ará Hovy (aldeia guarani mbyá Céu Azul, em Maricá) eem espaços culturais—, bem como de atividades mediadas por recursos digitais.

Paralelamente, a parceria entre o PROLEM e o Encontro de Saberes tem feito possível a interação com mestres no campus, bem como avisita à aldeia guarani mbyá Araponga (Paraty), em ocasiões especiais—como a da celebração do nhemongaraí avaxi (batizado do milho)—, mediadas pela comunidade. O curso vem atender, assim, aspectos como a oralidade, a circularidade e a espiritualidadeque remetem a horizontes cosmológicos e hábitos culturais que escapam ao eurocentrismo histórico das universidades brasileiras. Trata-se, como afirmam José Jorge de Carvalho e Carla Águas (2015), de inserir na universidade uma maior abertura para o diálogo interepistêmico. Nesse sentido, compreende-se aqui o lugar protagonista que os cursos de Letras podem e devem assumir, não apenas na implementação da lei 11.645/2008, mas também na maior integração da universidade com as realidades trazidas pelos ingressantes cotistas.
Em sintonia com essas demandas, os professores responsáveis pelos cursos no PROLEM são referentes em suas comunidades, têm experiência no ensino de guarani em escolas bilíngues, possuem estudos universitários na área de formação intercultural e realizam pós-graduação em diversas áreas das Ciências Humanas (notadamente, Antropologia e Cinema).