Programa de Línguas Estrangeiras Modernas

Yorubá

LÍNGUA E CULTURA YORUBÁ

Os cursos de língua e cultura yorubá são oferecidos pelo PROLEM desde o segundo semestre de 2017, em parceria com o projeto Encontro de Saberes na UFF, com o propósito de oferecer subsídios para a implementação da Lei 10.639/2003, que institui a obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileira em todos os níveis de ensino. Seu oferecimento no âmbito institucional do PROLEM expõe a marginalização das línguas africanas na história da educação formal no país. O ensino de língua e cultura yorubá no PROLEM se postula como suplemento necessário do currículo dos cursos de Letras na UFF e contribui para a promoção da inclusão e a superação das desigualdades étnicas e raciais vigentes no ensino superior do Brasil.

A escolha da língua yorubá (entre outras, igualmente importantes na história cultural do Brasil, como as línguas do tronco banto) deve-se, não apenas à marcada presença dessa língua em comunidades quilombolas e de terreiro ao longo da história do Brasil, mas também à presença crescente, nas últimas décadas, das literaturas africanas e à intensificação, neste mesmo período, do intercâmbio cultural, acadêmico e comercial
do Brasil com países africanos. Cabe ressaltar ainda o fato de que somente nas três últimas décadas é que a Linguística Africana vem se desenvolvendo e se consolidando no Brasil.

O curso comporta quatro níveis: Iniciante I e II, e Intermediário I e II. Neles, leva-se a cabo, de modo integrado, o estudo formal da língua yorubá (através do desenvolvimento das habilidades de compreensão e produção oral e escrita) e a vivência da cultura (em seus aspectos tradicionais e contemporâneos), através da realização de diversas atividades presenciais, tanto na UFF, quanto fora dela —em diversos espaços culturais—, bem como de atividades mediadas por recursos digitais.

Paralelamente, a parceria entre o PROLEM e o Encontro de Saberes tem feito possível a interação com mestres no campus, bem como a visita a diversos espaços de convívio e práticas culturais, mediados pelas comunidades de referência dos mestres. O curso vem atender, assim, aspectos como a oralidade, a circularidade e a espiritualidade que
remetem a horizontes cosmológicos e hábitos culturais que escapam ao eurocentrismo histórico das universidades brasileiras. Trata-se, como afirmam José Jorge de Carvalho e Carla Águas (2015), de inserir na universidade uma maior abertura para o diálogo interepistêmico. Nesse sentido, compreende-se aqui o lugar protagonista que os cursos
de Letras podem e devem assumir, não apenas na implementação da Lei 10.639/2003, mas também na maior integração da universidade com as realidades trazidas pelos ingressantes cotistas.


Em sintonia com essas demandas, os professores responsáveis pelos cursos no PROLEM são referentes em suas comunidades, têm experiência no ensino de yorubá para falantes de português e possuem formação acadêmica de nível superior em diversas áreas das Ciências Humanas.